ABRAPCORP 2014


Sejam bem vindos ao VIII Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas, que ocorrerá entre os dias 14 e 16 de maio de 2014, na Universidade Estadual de Londrina – PR. 

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Comunicação, Interculturalidade e Organizações:
faces e dimensões da contemporaneidade

Nas últimas décadas, a acentuada expansão do fenômeno da globalização, tanto na dimensão econômica, política, social como cultural, tem impactado as pessoas, as organizações, sejam públicas e privadas, como todas as nações. Esse impacto se dá tanto na forma de gerir os recursos humanos, materiais e financeiros, como os relacionamentos entre as pessoas. Segundo Castells[i] (2000), o que caracteriza o desenvolvimento da economia informacional global é exatamente seu surgimento em contextos culturais/nacionais muito diferentes, exercendo influência em todos os países e levando a uma estrutura de referências multiculturais. Ele é categórico ao afirmar que culturas manifestam-se fundamentalmente por meio de sua inserção nas instituições e organizações.

Neste cenário global a comunicação tem um papel essencial de amálgama de diferentes culturas, crenças, hábitos e comportamentos humanos. Existe um vínculo intrínseco entre os processos de comunicação e da cultura, pois ambos acontecem de maneira inconsciente e consciente no agir humano, além de ocorrerem justapostos. Essas duas dimensões: cultura e comunicação são indissociáveis e, cada dia mais, o significado do espaço geográfico e semântico que ocupam no mundo deve ser estudado para se compreender a nova dinâmica da sociedade contemporânea.

O tema “Interculturalidade, Comunicação e Organizações: faces e dimensões da contemporaneidade” pretende proporcionar a reflexão dos pesquisadores, alunos e profissionais sobre a intersecção dos desafios apresentados pela sociedade
contemporânea, sob o ponto de vista dos processos comunicacionais, da gestão das organizações entendidas como sistemas vivos e da interculturalidade como uma dimensão que permeia transversalmente o agir humano.

As diferenças interculturais devem ser conhecidas, estudadas e analisadas de distintas óticas e proporcionar competências e habilidades que permitirão interagir de forma bem-sucedida nas organizações multiculturais, em distintas partes do mundo. É neste cenário, em que a mobilidade e a interculturalidade despontam como valores-chave nas organizações, que Freitas[ii] (2008) observa algumas características dessa movimentação:
·         a formação de um ambiente de trabalho cada vez mais qualificado, heterogêneo e com maior potencial de conflitos;
·         a urgência no desenvolvimento de maiores competências comunicativas e de negociação;
·         a necessidade de habilidades para a coordenação de equipes multiculturais e multidisciplinares;
·         o desenvolvimento de novas formas de sinergia estratégica e de incessantes incorporações tecnológicas;
·         a revisão de processos produtivos, financeiros, administrativos;
·         o desenvolvimento de uma mentalidade intercultural.

As demandas por competências e habilidades vem sendo descritas por alguns autores como “global mindset” ou mentalidade global. Trata-se da consciência da diversidade entre culturas e mercados, aliada à capacidade de perceber pontos comuns e oportunidades onde existe complexidade e múltiplas realidades culturais. A organização ou o líder com “global mindset” se caracteriza pela abertura para mediar e integrar a multiplicidade, tomando decisões que funcionam tanto localmente, quanto globalmente, aprimorando a competitividade do negócio no mercado internacional. Gupta e Govindarajan[iii] (2002) argumentam que o “global mindset” é um dos ingredientes que formam a inteligência organizacional necessária para identificar e explorar oportunidades, mesmo em regiões distantes e diferentes. Segundo os autores, nos negócios globalizados é requerido que os gestores sejam capazes de transitar por culturas e mercados altamente heterogêneos, percebendo-os e interpretando-os.




[i] CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. Volume I. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
[ii] FREITAS, Maria Ester. O Imperativo Intercultural na vida e na gestão contemporânea. São Paulo: Thomson, 2008.
[iii] GUPTA, A. K., GOVINDARAJAN, V. Cultivating a global mindset. The Academy of Management Executive, v. 16, n. 1, p. 116-126, 2002.

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